Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Concerto | Samuel Úria


Ainda não foi desta que me converti…
Um dos nomes mais sonantes da editora Flor Caveira regressou a Barcelos.
Em mais uma noite de Subscuta, o auditório da Biblioteca Municipal encheu para assistir ao concerto do “baladeiro” (embora ele desminta…) Samuel Úria. Traz na bagagem quatro gravações, sendo a última bem fresca – “Nem lhe tocava” foi lançado no corrente ano.
Apresentou-se a solo, apenas com uma guitarra, dando asas a um ambiente intimista e bastante familiar. O que também ajudou à criação desse mesmo ambiente foi a ironia constante do músico. Tudo o que é demais é erro…
Com a voz tendencialmente aguda - a fazer lembrar um Tiago Bettencourt - Samuel Úria passeou as suas canções mas também as de outros – "quase ¼ do reportório são versões", ironiza o artista.
Apresentou o seu novo single “Teimoso”, levando o público a cantarolar. Coisa que só volta acontecer com a interpretação da sua música mais conhecida “Não arrastes o meu caixão”. Entretanto é feito um “teste ao técnico de som”. Úria toca uma canção da telenovela brasileira “Roque Santeiro”, com um pequeno teclado da Casio, amplificado por microfone. No fim, as luzes acendem-se, e apercebendo-se da indiferença do público ao tema, graceja: “Ah! Grande parte de vocês não era nascido em 86…”. E por falar em gracejar, parece que o músico acha particular piada a mortos (o que não parece, de todo, evangélico). São referidos Dino de Laurentiis, a propósito da música “Barbarella e barba rala”, e Rosa Lobato de Faria, sendo motivo de risota.
Apresentou-se no final, “para os que estavam enganados”, como sendo o Samuel Úria, uma banda de panque roque. Ora, como no blog da sua editora o panque roque se encontra intimamente ligado à religião, ainda houve tempo para espalhar a fé protestante, fazendo uma versão de uma música menos conhecida do pastor e amigo Tiago Guillul (não há aqui ironia, nem sarcasmo).
Ainda faltava o encore: mais uma versão e mais uma graça. Regressou ao palco para tocar a “Quinta Sinfonia”, de Paco Bandeira, “música erudita” até porque se “refere às sete artes”. Público de pé para aplaudir.
Mais um, de bigode e suíças, de guitarra acústica na mão, a trautear pop vazio. Ainda não foi desta que me converti…
Texto: Alexandra João Martins

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3 Comments:

Blogger Márcio said...

Por isso é que esta terra está isolada como está culturalmente. Recebemos um grande concerto de um enorme artista e temos gente a fazer crítica que parece que passou o tempo com ouvidos tapados e a olhar para o lado.
Pop vazio?? O melhor letrista português dos últimos 20 anos faz pop vazio?? Uma coisa são gostos, outra é a inteligência e a seriedade com que se escuta, e é preciso um esforço sobrehumano para não se perceber que Úria de vazio nada tem. Genial domino da língua, genial carga simbólica, genial introdução subtil de humor, e no fim disto temos alguém que prefere falar dos pelos na cara do artista? Haja paciência para tão primário discernimento.
E outro caso grave deste texto: a comparação com Tiago Bettencourt. Não é que Bettencourt seja mau. Neste país até é dos menos maus, mas 3 Bettencourts não têm o talento de meio Samuel.

10:42 PM  
Blogger Tiago said...

Isto soa a alguém que gosta muito de Samuel acima de muita coisa. Cada um faz a critica que quiser, quem não gosta enfia uma rolhinha ou vem para o blog dizer que o Samuel é o maior.

2:50 PM  
Blogger Alex said...

De uma coisa tenho a certeza, o Úria não é o "melhor letrista português dos últimos 20 anos". LOL

3:41 PM  

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