Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Subscuta| Pop Dell'Art

"Pop Dell’ Arte, os senhores do free pop nacional, encheram por completo, o auditório da Biblioteca Municipal, para um concerto que não deixou ninguém indiferente. Quando se fala de Pop Dell’ Arte não se pode falar só de música. Eles são muito mais que isso. A banda liderada pelo carismático João Peste não se limita a interpretar as canções, representa-as também. Podíamos dividir o espectáculo em três partes. Numa primeira parte, claro está, a parte musical. A complementar a música, há uma segunda parte que é a encenação teatral de João Peste. Ele entrega-se de corpo e alma às músicas, sendo os movimentos do seu corpo, o reflexo mais imediato da expressão musical. Como que um elo de ligação entre a componente teatral e a musical, os Pop Dell’ Arte oferecem ainda uma forte componente visual, com a projecção de várias imagens e filmes. Numa das frases projectadas podia-se ler: “What is Dada?”, pois bem, a resposta estava mesmo ali à frente. Ou não fosse, um concerto de Pop Dell’ Arte uma experiência invulgar de sistemática e simultânea construção e destruição das fórmulas pop. Para estes veteranos da música portuguesa (a banda nasceu em 1984), não há limites criativos. A fórmula musical Pop Dell’ Arte é fresca, provocadora e tentadora.
Mistura pop, jazz, funk, música de cabaret com rock e punk. João Peste canta em português, francês, inglês e noutras línguas imperceptíveis, outras vezes apenas faz sons que não obedecem a nenhuma gramática.
Não faltaram os clássicos “Querelle” ou “Amor é… Um Gajo Estranho”, faltou foi Adolfo Luxúria Canibal em “Juramento Sem Bandeira”, que apesar de ter sido convidado, não pôde comparecer, como explicou João Peste.
O público barcelense rendeu-se à actuação dos Pop Dell’ Arte, e obrigou a banda a voltar ao palco para dois encores, que pareceram demasiado curtos, pois a vontade era de continuar a observar tal espectáculo, durante mais umas horas." in Jornal de Barcelos


Texto e foto: Pedro Silva