TAUF - The Astonishing Urbana FallRevelação em Vilar de Mouros 96, consagração em Paredes de Coura, os Tauf já actuaram em Londres ( no Orange), já fizeram o acompanhamento musical de peças de teatro e preparam a banda sonora para um filme enquanto acertam os últimos pormenores para a gravação de um novo cd.
Ricardo Cunha, Claúdia CarvalhoO repórter 123som deslocou-se a Barcelos e conversou com o André.
- É verdade que começaram a gravar poucos meses depois de se formarem como grupo. Podes falar-nos do vosso percurso até hoje?
Tauf/André - Sim, 3 meses depois de nos juntarmos tínhamos já material suficiente para gravar e fizêmo-lo num estúdio em Viana. Gravámos 9 músicas e 3 dos temas fizeram parte do primeiro single. Este single tem um conceito diferente do segundo. Na altura éramos 5 e a estratégia foi conhecer as influências de cada um. Cada música correspondia ao entendimento de uma das pessoas e a partir daí íamos desconstruindo na tentativa de fundir as influências de todos.Por isso é que os temas saíram muito diferentes entre si. O single foi uma série limitada de 5oo cd´s e esgotou em 2 ou 3 semanas. Chegou a ser montra nas discotecas do Porto. Foi uma fase em que sentimos um grande apoio por parte da imprensa e de um momento para o outro passamos do anonimato para uma posição relativamente confortável no panorama nacional deste género. Demos vários concertos com a preocupação de os tornar sempre diferentes e demos grande atenção à componente cénica. Neste último disco, não abandonando a componente cénica privilegiámos o aspecto musical. O som passou a ser mais uniforme, mais homogéneo. Surgiram linhas orquestrais e o resultado agradou-nos bastante. No início as músicas surgiam mais próximas do formato canção mas agora já conseguimos fazer música experimental sobre um suporte orquestral, uma base sinfónica. É mais trabalhoso e por isso descurámos um pouco o aspecto cénico.
Quais foram os pontos mais altos da carreira dos Tauf?
Tivemos pontos altos em vários aspectos, tivemos pontos altos em termos de exposição mediática, tivemos pontos altos em termos de qualidade artística de trabalho... No que se refere a concertos talvez elegesse o primeiro concerto de Paredes de Coura a nossa primeira experiência com o grande público, o concerto em Inglaterra que ansiávamos e conseguimos, o concerto no Meia Cave e talvez o concerto no Teatro das Marionetes que foi a apresentação do "Iconolator"...
Como é que foi a vossa experiência em Londres? O que é que encontraram quando chegaram lá...?
Encontramos um universo completamente diferente, as coisas lá funcionam de outra maneira....é completamente diferente daquilo que encontras aqui: a abertura das pessoas e o profissionalismo e a forma como é encarada uma coisa tão básica como fazer som, as horas a que começa um concerto... Mas mais do que qualquer outra coisa é tu saíres daqui num avião, aterrares em Londres para dar um concerto, dormires lá e voltares...é a consciência que o grupo deu esse passo.
Achas que o público português está aberto a projectos musicais com as características dos Tauf? Nunca pensaram lançarem-se em países onde teoricamente qualquer minoria já são uns milhares?
Nunca foi uma prioridade. Acho que é possível em Portugal ter um número suficiente de pessoas para assistir aos nossos concertos, para comprar os nossos cd´s... Agora se me perguntasses se o grupo fosse oriundo de outro pais se era mais fácil, é claro que sim. De qualquer forma acho que o processo de mediatização de um grupo passa por todos menos pelos elementos do grupo. Não é em primeira análise, no limite se quiseres, a qualidade da banda que determina isso mas o mercado, as editoras, as promotoras... Acho que também é preciso um pouco de sorte.
Se fosse possível aos elementos do grupo pôr de lado a carreira profissional e dedicarem-se unicamente à música o que é que decidiam?
Acho que optavamos por tentar conciliar as duas coisas. Nós os sete, que constituímos o núcleo duro da banda encontramo-nos praticamente apenas para ensaiar e a satisfação de nos encontrarmos duas ou três vezes por semana como amigos e como músicos renova-se sempre. Se andássemos sempre em tournée acho que a rotina podia vir estragar um pouco este ambiente. Falando apenas de mim, e dependendo da oportunidade, se calhar a arquitectura passava a ser um hobbie. Mas continuo a achar que é possível encontrar o equilíbrio. Prova disso é o facto de apesar de sermos muitos conseguirmos conciliar a nossa vida académica/profissional, com uma agenda preenchida
Voltando aos festivais, como correu a vossa presença na Ilha do Ermal?
Quando uma banda tem tempo de concerto para dar corpo a uma ideia, acaba por agarrar o público, e depois o que fica "agarrado" arrasta o que não está. Para isso é preciso tempo. No Ermal tivemos 30 min. para tocar. A única coisa que esse tempo dá para fazer é para chapar 3 selos de dez minutos. Não dá tempo para fazer ajustes, acertos, teres o feedback do público.... Acho que foi um erro estratégico a organização ter dado tão pouco tempo aos grupos no último dia.
A luminosidade interferiu em alguma coisa?
Não não... até acho engraçado tocar de dia. Foi a segunda vez que o fizemos. Em Vilar de Mouros, há uns anos atrás, estava um pouco céptico mas acabei por gostar particularmente de tocar de dia. Desta vez não tive tempo para gostar. Acho que é preciso no mínimo 45 minutos para expor as nossas ideias, menos do que isso é quase irreal.
Gostava de terminar esta conversa com um olhar para o futuro. Quais são os próximos passos dos Tauf?
Gravar temas para o próximo álbum. Ainda não sabemos se vai ser uma edição de autor ou se vamos recorrer a uma editora. Isto do mercado é complicado. Como até agora lançámos sempre edições limitadas que esgotaram, nunca tivemos a experiência do que será editar em grandes quantidades e de encarar uma possível desilusão. Acima de tudo vamos salvaguardar o aspecto artístico. O ideal será juntar o útil de uma editora ao agradável para nós.